Crise de ansiedade: o que fazer nos primeiros dez minutos
10 de agosto de 2026 · 7 min de leitura
Se você está no meio de uma agora, pula os parágrafos e vai direto para a lista. Ela está logo abaixo de propósito.
Faça isso agora
- Sente ou encosta em algo firme. Não deite. Não saia andando rápido. Um lugar com apoio, os dois pés no chão.
- Solte o ar mais devagar do que puxa. Puxa contando até quatro, segura dois, solta contando até seis. O que corta a crise é a expiração longa, não a inspiração profunda. Repita seis vezes.
- Nomeie cinco coisas que você está vendo. Em voz alta, se der. Depois quatro que você ouve. Depois três que você consegue tocar.
- Molhe os pulsos e o rosto com água fria. Se tiver gelo, melhor: segure na mão fechada por trinta segundos.
- Diga para si mesmo a frase certa. Não é “calma”. É: “isso é uma crise, ela sobe, ela cai, e eu já passei por isso”.
Nenhum desses passos é magia. Todos eles atacam a mesma coisa: o corpo entendeu que existe um perigo e ligou o alarme. Você está mostrando ao corpo que o perigo não está lá.
Por que o coração dispara se não tem nada acontecendo
O que sentimos numa crise é uma resposta de defesa antiga e bem eficiente. O cérebro identifica ameaça, o corpo despeja adrenalina, o coração acelera para levar sangue aos músculos, a respiração encurta, a visão fecha o foco. Isso é útil quando existe um perigo físico na sua frente.
O problema é que o mesmo alarme dispara com uma reunião, um e-mail, um pensamento sobre o mês que vem. O corpo não distingue o tipo de ameaça. Ele só executa.
Por isso a crise vem com sintomas tão físicos: taquicardia, formigamento nas mãos, tremor, aperto no peito, boca seca, sensação de irrealidade, medo de desmaiar ou de morrer. Não é imaginação. É adrenalina fazendo exatamente o que ela sabe fazer.
O detalhe que quase ninguém conta
Uma crise de ansiedade não sustenta o pico. O corpo não tem estoque de adrenalina para manter aquele estado indefinidamente. O pico costuma durar poucos minutos e depois cai sozinho, mesmo que você não faça nada.
Isso muda tudo na hora de atravessar uma. A pergunta deixa de ser “como eu faço isso parar agora” e vira “como eu me seguro até isso baixar”. A segunda pergunta tem resposta prática. A primeira alimenta o pânico.
O que costuma piorar
- Tentar respirar fundo. Inspirar muito e soltar pouco aumenta a sensação de falta de ar. O caminho é o contrário: solte devagar.
- Checar o pulso a cada trinta segundos. Monitorar o corpo mantém o alarme ligado.
- Sair correndo do lugar toda vez. Alivia na hora e ensina ao cérebro que aquele lugar era perigoso mesmo. Na próxima, o medo volta maior.
- Procurar sintoma no celular. A busca acha o pior cenário. Sempre.
- Álcool. Baixa a ansiedade por uma hora e devolve com juros na madrugada.
Depois que passa
Quando a crise cede, você fica exausto. Isso é esperado: seu corpo acabou de correr uma maratona parado. Beba água, coma alguma coisa, e não cobre produtividade de si mesmo pelas próximas horas.
E anote três coisas enquanto está fresco: onde você estava, o que estava acontecendo antes, e qual foi o primeiro sintoma que apareceu. Esse registro parece bobo e é a matéria-prima mais útil que existe para o tratamento. Depois de cinco ou seis anotações, o padrão aparece sozinho.
Quando procurar ajuda
Crise isolada em um momento de pressão acontece com muita gente. Vale procurar um psicólogo quando:
- as crises se repetem;
- você começa a evitar lugares ou situações por medo de ter outra;
- o medo de ter uma crise já ocupa mais espaço que a crise em si;
- o sono, o apetite ou o trabalho começaram a mudar.
Crise que se repete não é fraqueza, e dá para cuidar. Na terapia, a gente olha para as crises com calma: o que veio antes, o que elas protegem, o que está pedindo espaço na sua vida. Entender isso muda a relação com elas.
Se o risco for imediato
Este texto não substitui atendimento de emergência. Se existe risco à sua vida agora, ligue 188 (CVV, gratuito, 24 horas) ou procure a UPA mais próxima.
Se você quer conversar sobre o que está acontecendo, eu atendo online para todo o Brasil. A primeira conversa serve para você entender como funciona antes de decidir qualquer coisa.
Iolanda Alves de Santo
Psicóloga clínica, CRP 08/09442. Terapia Existencial Fenomenológica.
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